Palavra do DIEESE
A espetacular lucratividade do setor elétrico paulista no primeiro semestre de 2005
Imune a qualquer eventual oscilação no ambiente econômico, o setor elétrico tem apresentado nos últimos anos um excelente desempenho, com elevada lucratividade e rentabilidade. A exceção é o peculiar ano de 2001, cuja redução do consumo foi significativa.
Salta aos olhos o caráter espetacular do crescimento da lucratividade desse setor no primeiro semestre de 2005. Sem qualquer exceção, as elétricas paulistas tiveram lucros excelentes entre janeiro de junho desse ano. O aumento das vendas e as revisões tarifárias foram os principais responsáveis por esses resultados. Sem contar as empresas que apresentaram prejuízo no primeiro semestre de 2004, em média, o crescimento da lucratividade das elétricas paulistas foi de 180%. Vejamos o desempenho do lucro líquido por empresa:
- O grupo CPFL Energia teve um crescimento da lucratividade no primeiro semestre da ordem de 221%, em relação a igual período do ano anterior, alcançando um lucro líquido de R$ 401 milhões.
- A Elektro saiu de um prejuízo de R$ 53 milhões no primeiro semestre de 2004 para um lucro líquido de R$ 296 milhões no primeiro semestre de 2005.
- O lucro líquido da AES Tietê cresceu 50% no primeiro semestre (atingiu R$ 210 milhões), em relação ao mesmo período de 2004 (R$ 140 milhões).
- A AES Eletropaulo saiu de um prejuízo de R$ 5 milhões no primeiro semestre de 2004 para um lucro líquido de R$ 120 milhões no primeiro semestre de 2005.
- O lucro líquido da Bandeirante cresceu 372% só nesse segundo trimestre de 2005, em relação ao primeiro trimestre. O lucro do semestre alcançou R$ 54 milhões.
- O crescimento do lucro líquido da Duke Energy nesse primeiro semestre foi de 602% (R$ 48 milhões), em relação ao primeiro semestre de 2004 (R$ 7 milhões).
- O lucro líquido da CTEEP saltou de R$ 132 milhões no primeiro semestre de 2004 para R$ 209 milhões entre janeiro e junho de 2005, alcançando um crescimento de 59%.
- Em tempos de revitalização do discurso privatista - que busca esconder a capacidade das empresas públicas serem rentáveis – a CESP tratou de não dar publicidade à sua excelente lucratividade no primeiro semestre e não deixou disponíveis suas informações trimestrais no sítio da web (como é usual). Porém, a empresa saiu de um prejuízo de R$ 480 milhões no primeiro semestre de 2004 para um lucro líquido de R$ 125 milhões no primeiro semestre de 2005.